Toda a gente sabe passar um rolo. O que distingue uma parede bem pintada de uma parede a repetir daqui a um ano é aquilo que se faz antes de abrir a lata — e a paciência entre demãos.
1. Preparar (é aqui que se ganha o trabalho)
A regra é conhecida e ignorada: 70 % preparação, 30 % pintura.
- Esvazie e proteja. Afaste os móveis, cubra o chão com telas e proteja rodapés e aros com fita de pintor.
- Limpe. Pó, gordura e teias impedem a aderência. Numa cozinha, um desengordurante é obrigatório.
- Repare. Fissuras e buracos com massa própria; deixe secar; lixe até ficar ao nível da parede.
- Lixe ligeiramente toda a superfície brilhante — a tinta não agarra num acabamento polido.
- Aspire e limpe o pó com um pano ligeiramente húmido. Lixar e não limpar é garantir grão no acabamento.
2. Primário: quando é mesmo preciso
Nem sempre é preciso, mas há casos em que não há como fugir:
- Parede nova ou estuque: absorve muito, o primário sela.
- Manchas de água, fumo ou nicotina: sem primário isolante, atravessam a tinta.
- Mudança radical de cor, sobretudo escuro → claro.
- Superfícies não porosas (azulejo, melamina, metal): primário específico.
Sobre uma parede já pintada, em bom estado e da mesma gama de cor, pode passar direto à tinta.
3. A ordem certa
Sempre de cima para baixo, e sempre do canto para o meio:
- Teto primeiro, se também for pintado.
- Recortes a pincel: cantos, junto ao teto, rodapés e aros.
- Rolo nas superfícies grandes, em «W» ou «M», cruzando os movimentos para não deixar marcas.
- Rematar enquanto a tinta está fresca — nunca sobre tinta a meio da secagem, ou ficam sobreposições visíveis.
O erro clássico: fazer todos os recortes, deixá-los secar e só depois passar o rolo. Resultado — cerca visível à volta de toda a parede. Recorte e rolo devem encontrar-se com a tinta ainda húmida.
4. Demãos e tempos
- Duas demãos é o normal. Uma só «para poupar» acaba quase sempre em três.
- Respeite o tempo entre demãos indicado na lata (em regra 4 a 6 horas). Se aplicar cedo demais, a segunda demão arranca a primeira.
- A cura completa demora mais do que o toque seco: normalmente umas semanas até a tinta atingir a dureza final. Até lá, evite esfregar.
5. Quantidade e ferramentas
Para estimar a tinta: área = perímetro × altura, menos portas e janelas. Depois divida pelo rendimento indicado na lata (geralmente 10 a 14 m²/L por demão) e multiplique por 2 demãos.
- Rolo de pelo curto: superfícies lisas.
- Rolo de pelo médio/longo: paredes texturadas.
- Pincel de língua de gato: recortes.
Compre um rolo decente: os baratos largam pelo na parede e paga-se em tempo o que se poupou no preço.
6. No fim
Retire a fita de pintor enquanto a tinta ainda não secou completamente, num ângulo de 45°. Se a tinta secar por cima da fita, ao puxar arranca o acabamento.
Se tiver dúvidas sobre o primário certo para o seu caso — mancha de água, azulejo, madeira —, passe pelo balcão: é a escolha que mais condiciona o resultado final.
